domingo, 13 de março de 2016

Ė micro ou é macro?

Se retornaremos ao governo das mudanças, não sei, mas o que tem de velho se passando por novo não tá no gibi. Vivi a reengenharia dos tempos do príncipe cansado e me lembro como era. Um taylorismo tupiniquim de estudo de tempos e movimentos.

Onde trabalhava, uma consultoria contratada colocou várias mocinhas com uma prancheta, folha quadriculada e caneta BIC ávida de anotações. As meninas não tinham hora, nem se anunciavam para observar o processo que cada um de nós fazia. Chegavam lépidas e, sobre o processo, perguntavam de choto ao freguês: é micro ou é macro?

O cidadão trabalhando ou não, tomava um susto, e tinha poucos segundos para pensar no trabalho que fazia e pra escolher entre as duas opções dadas: micro ou macro. E foram meses essas pesquisas, pagas por quantias macros, fazendo parecer a nós investigados que os resultados seriam micros. Mas não queríamos, fazer a delação da pesquisa, pois poderíamos amanhã ser premiados por um PDV*.

A estratégia então, para não ser inconsistente e se safar das meninas, foi a gente memorizar, para cada tarefa, a resposta que daríamos a angustiante inquisição: é micro ou é macro? E a medida que respondíamos mais pavlovianamente o inquisitório, mais de surpresas e rápidas as meninas nos abordavam: é micro ou é macro?

Um belo dia, um colega entrou no banheiro, que a essas alturas desconfiávamos estar também monitorado o tempo de realização das tarefas por lá. E pra não dar bandeira da demora, saiu rápido daquele recinto adentrando ao ambiente da copa ao lado, ainda com a mão e o olhar no ziper da braguilha aberta. Mas não deu tempo, pois eis que, de repente, chega uma das inquisidoras e sapeca a fatal pergunta: é micro ou é  macro?

* PDV - Plano de Demissão Voluntária


George Alberto de Aguiar Coelho

sexta-feira, 11 de março de 2016

Não há cadeia suficiente para Lula - José Perci de Sousa

Não há cadeia suficiente para Lula, não há construção erigida que suporte tamanha pena, que dê conta de tanto pecado.
Haja grades de ferro e de aço que sejam capazes de segurar, de reter e de trancafiar tanta coisa numa só, tanta gente num só homem.
Não há cadeia no mundo que seja capaz de prender a esperança, que seja capaz de calar a voz.

Porque, na cadeia de Lula, não cabe a diversidade cultural
Não cabe, na cadeia de Lula, a fome dos 40 milhões
Que antes não tinham o que comer
Não cabe a transposição do São Francisco
Que vai desaguar no sertão, encharcar a caatinga
Levar água, com quinhentos anos de atraso,
Para o povo do nordeste, o mais sofrido da nação.
Pela primeira vez na história desse país.

Pra colocar Lula na cadeia, terão que colocar também
O sorriso do menino pobre
A dignidade do povo pobre e trabalhador
E a esperança da vida que melhorou.

Ainda vai faltar lugar
Para colocar tanta Universidade
E para as centenas de Escolas Federais
Que o ‘analfabeto’ Lula inventou de inventar
Não cabem na cadeia de Lula
Os estudantes pobres das periferias
Que passaram no Enem
Nem o filho de pedreiro que virou doutor.

Não tem lugar, na cadeia de Lula,
Para os milhões de empregos criados,
(e agora sabotados)
Nem para os programas de inclusão social
Atacados por aqueles que falam em Deus
E jogam pedras na cruz.

Não cabe na cadeia de Lula
O preconceito de quem não gosta de pobre
O racismo de quem não gosta de negro
A estupidez de quem odeia gays
Índios, minorias e os movimentos sociais.
Não pode caber numa cela qualquer
A justiça social, a duras penas, conquistada.
E se mesmo assim quiserem prender
– querer é Poder (judiciário?),
Coloquem junto na cadeia:
A falta d’água de São Paulo,
E a lama de Mariana (da Vale privatizada)
O patrimônio dilapidado.
E o estado desmontado de outrora
Os 300 picaretas do Congresso
E os criadores de boatos
Pela falta de decência
E a desfaçatez de caluniar.
Pra prender o Lula tem que voltar a trancafiar o Brasil.
O complexo de vira-latas também não cabe.
Nem as panelas das sacadas de luxo
O descaso com a vida dos outros
A indiferença e falta de compaixão
A mortalidade infantil
Ou ainda (que ficou lá atrás)
Os cadáveres da fome do Brasil.
Haja delação premiada
Pra prender tanta gente de bem.
Que fura fila e transpassa pela direita
(sim, pela direita)
Do patrão da empregada, que não assina a carteira
Do que reclama do imposto que sonega
Ou que bate o ponto e vai embora.
Como poderá caber Lula na cadeia,
Se pobre não cabe em avião?
Quem só devia comer feijão
Em vez de carne, arroz, requeijão
Muito menos comprar carro,
Geladeira, fogão – Quem diz?
Que não pode andar de cabeça erguida
Depois de séculos de vida sofrida?
O prestígio mundial e o reconhecimento
Teriam que ir junto pra prisão
Afinal, (Ele é o cara!)
Os avanços conquistados não cabem também.
Querem por Lula na cadeia infecta, escura
A mesma que prendeu escravos,
‘Mulheres negras, magras crianças’
E miseráveis homens – fortes e bravos
O povo d’África arrastado
E que hoje faz a riqueza do Brasil.
Lula já foi preso, ele sabe o que é prisão.
Trancafiado nos porões da ditadura
Aquela que matou tanta gente,
Que tirou nossa liberdade
A mesma ditadura que prendeu, torturou.
Quem hoje grita nas ruas
Não gritaria nos anos de chumbo
Na democracia são valentes
Mas cordatos, calados, covardes
Quando o estado mata, bate e deforma.
Luis Inácio já foi preso,
Também Pepe Mujica e Nelson Mandela.
Quem hoje bate palmas, chora e homenageia,
Já foi omisso, saiu de lado e fez que não viu.
Não vão prender Lula de novo
Porque na cadeia não cabe
Podem odiar o operário
O pobre coitado iletrado
Que saiu de Pernambuco
Fugiu da seca e da fome
Pra conquistar o Brasil
E melhorar a vida da gente
Mas não há
Nesse mundão de meu Deus
Uma viva alma que diga
Que alguém tenha feito mais pelo povo
Do que Lula fez no Brasil.
“Não dá pra parar um rio
quando ele corre pro mar.
Não dá pra calar um Brasil,
quando ele quer cantar.”
Lula lá!

quarta-feira, 9 de março de 2016

A entrega do Brasil

Uma análise profunda de Nassif. Provavelmente, só irá se confirmar por completo e de forma aberta quando documentos sigilosos americanos forem desclassificados como tal, ou se um novo Snowden surgir.

"Em breve, a Lava Jato deixará de ser estudada meramente como uma imensa operação anticorrupção para se transformar em um case sobre as estratégias geopolíticas norte-americanas na era das redes sociais, da globalização e da alta tecnologia." Nassif

Em verdade, nada é casual, o destino dos povos tem a ver com a sua admiração, reconhecimento e imitação aos seus dominadores. Caboclos querendo ser ingleses, diria Cazuza; ou complexo de vira- latas, como chibateava Nelson Rodrigues.

A elite brasileira com seu comportamento miamístico não se diferencia de cubanos que ali habitam (Miami) e que sempre recordam com saudade os tempos do cabaret americano de Batista na ilha. A despeito de me considerar um educador, não vejo como mudar o rumo das coisas, nadar contra a tsunami que nos afoga. Infelizmente, cheguei a conclusão: o povo brasileiro não merece o Brasil.

George Alberto

Mote:
http://jornalggn.com.br/noticia/lava-jato-tudo-comecou-em-junho-de-2013

segunda-feira, 7 de março de 2016

Pauperófobo

O Sr. Jung Mo Sung pediu ajuda no Twitter pra encontrar expressão para uma sociopatia muita em voga nos coevos dias. Trata-se da aversão ao pobre. Apesar de já ter lido, em algum texto, pobrefobia, achei que não soava chique, então sugeri, pra doença, pauperofobia, do prefixo latino pauperos(pobre) e do sufixo grego phobos(fobia) e, pro doente, pauperófobo.

A propósito, Max Weber, no livro A Ética Protestante, explicava a pobreza ibérica relacionando-a à fé católica. Os aficionados de Lutero eram mais: Deus colocou os escolhidos na terra pra serem exemplos de seu poder, portanto fossem ricos. Já pros católicos seria mais fácil um camelo entrar numa agulha, portão de muralha, do que rico passar pela vigília do porteiro dos céus.

Pois bem, que o seja todo razão o Sr. Weber, mas, cá pra nós, pra ser rico e ter de conviver com doutrina de Malafaia, Waldomiro, Edir Macedo, Cunha e o escambau universal, parece ser menos chato ser pobre. Isso pros que não sofrem de pauperofobia.

Mesmo porque, do ponto de vista ecológico, a terra não aguenta muita gente rica, não. Só os gringos consumem, por baixo, uns 20% dos recursos da terra. A gente não escapa nem quando eles estão dormindo, porque bufa de metano de fastfood McDonald não é brincadeira. E os chineses, embora comendo arroz como prato principal, consomem mais 24% dos finitos recursos.

P.S.
Sim, a palavra que nomeia a doença existe. De fato, veja este texto do jornal O Povo de autoria do Professor Pedro Jorge Chaves Mourão
http://www.opovo.com.br/app/opovo/opiniao/2016/01/11/noticiasjornalopiniao,3559687/quem-tem-medo-de-pobre.shtml

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Pra ler daqui a 50 anos

Daqui a 50 anos, quando os papéis da diplomacia americana perderem o sigilo, golpistas, se até lá ainda vestidos, ficarão nús.

George

sábado, 6 de fevereiro de 2016

A bodega da Dona Nainha

Praia de Redonda, Icapui. Eu atrás de farinha pra fazer  um pirão de peixe. Na Dona Narinha tem farinha, um pescador me avisou e eu entendi assim, Dona Narinha tem farinha. Rimou atė. Fica perto, nessa rua, depois da casa verde. Chego na casa, um velho sentado e eu pergunto: o Senhor sabe do comércio da Dona Narinha? O velho pensou e respostou sério. Não, Sinhô, não tem essa Dona aqui não. Danou-se,
 o outro mentiu pra mim, foi? Não tem Dona Narinha? Não, Sinhô. Tem, não, E calou-se. Pensei e mirei a bodega de frente donde ele tava sentado. Senhor de quem é a bodega? Apontei com os beiços. Essa aí? Sim, essa aí. Ah bem, é de Dona Nainha.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Xanana, a flor símbolo de Natal(RN)

Xanana, ou Chanana, ou Damiana, arbusto arrancado como mato, mas teimoso na rebrota. 

Flor alegre, aquarela,
Teima em vicejar no mato,
Brilha ao sol e não quer trato,
Serve até pra espinhela.
Pólen de cor amarela,
A abelha lhe recolhe
E por muito que se olhe,
Mais se contenta a beleza,
Puro ser da natureza:
Xanana, que o sol acolhe.

Foto e escritos de George Coelho




Quer conhecer mais?
http://brasilinsetos.blogspot.com.br/2015/02/flor-chanana-ou-xanana-turnera-ulmifolia.html
http://www.plantasquecuram.com.br/ervas/damiana.html#.VrDCaSNv_qA
http://papjerimum.blogspot.com.br/2011/03/flor-simbolo-de-natal.html
http://www.eduardocampos.jor.br/_terrasol/menuop5a.pdf