quarta-feira, 1 de abril de 2020
Que país mais roubado é esse?
quinta-feira, 26 de março de 2020
A lógica da volta ao trabalho
sexta-feira, 13 de março de 2020
domingo, 13 de outubro de 2019
Dê na farinha também, moço!
Depois subiu a escada em caracol, descortinou de cima a serra Grande, o açude e, em todo o derredor, a caatinga sobrançeira. Então desceu e no caramanchão velho ao lado, viu um bode espichado de cabeça pra baixo pingando sangue na bacia de aluminio. Ao seu lado um caboclo tirava o couro do animal forçando com punho cerrado, o que antes tinha se iniciado com faca afiada.
- É pro almoço, Seu moço.
- Dê na farinha também, moço.
terça-feira, 1 de outubro de 2019
Evito ler o que escrevo
pois se leio, mudo. Daí á vantagem de se ter um blog. Muda-se quando se ler. Uma vez fui ver à biblioteca doada por José Mindlim à USP. Direto, queria ter nas mãos o livro escrito e todo rabiscado do Graciliano Ramos - pra mim, o maior eacritor brasileiro - que deu origem à Vidas Secas. Até o título o Graça alterou. Era O Mundo Coberto de Penas. A secretária era cearense, Feitosa dos Inhamúns, mas me disse que o livro estava em manutenção e, pra não me deixar triste, me deu um livro sobre as publicações da USP.
Meus avós - apontamentos
Certo ano, deve ter sido por volta de 1925, meus avós, Raimundo Inácio de Aguiar e Maria Elias França de Aguiar, voltaram do Amazonas e se arrancharam nas brenhas do Pihauy, onde compraram e se apossaram de muita terra quente de pedra, areia e carnaubeira.
Minha mãe, Aldenora, nasceu em 1920, no lugarejo onde hoje é a cidade de Feijó, no Acre. Nas cercanias da foz do rio Envira, tinha um barracão de irmãos de meu avô e ele, por ali, foi seringueiro.
Quando veio do Amazonas, trazida pelos meus avós, acompanhada do filho mais velho, Epaminondas, mamãe era menina. Minha avó voltava grávida, sacolejando enjoada na viagem de barco. Logo depois da viagem, deu a luz a um outro filho, Gerardo, num lugarejo Trapiá, perto do Aprazível, próximo a Sobral.
Meu avô devia de ser amigo de um sujeito rico de Sobral que tinha um casarão de três pavimentos à margem da BR 222, próximo ao riacho Sabonete, à esquerda de quem vai de Sobral pra Forquilha, ainda hoje muito bem conservado. Meu amigo, Zé Ivo do Sobral, conhece bem o casarão, embora me tenha dito que nunca adentrou nele, como o fiz, abismado uma vez, mais minha irmã, Sonia.
Pois bem, meu avô dizia que se inspirou naquele casarão pra edificar, em 1948, a casa grande sede da Fazenda Belmonte, sitiada no carnaubal que lhe falei. Até uma cachacinha ele fazia no alambique que tinha no armazém da frente, aproveitando a frescura das terras da revença do açude que construiu.
A cachaça Indiana tinha rótulo bonito e gosto forte de queimar a goela de sujeito inexperiente no trato. Ainda tomei umas bicadas da Indiana, garrafa oferecida de bom gosto por Antonio, filho do Seu Aureliano, amigo de meu avô, em Piripiri, Piauí, com Lincoln do Araxá das Minas Gerais, esposo da minha tia Walda, quando do sétimo dia de falecimento de minha avó, dona Mocinha.
O riacho Sabonete de Sobral
O riacho Sabonete, ninguém dá nada por ele, não, mas é um ente forte e impetuoso, quando quer e pode. Uma vez, minha mãe, Aldenora, voltando â noite do Piauí pela Expresso de Luxo dos irmãos Joca, encontrou o riacho Sabonete em conluio com a estrada BR 22. Passava grosso de um lado a outro, quando o desinfeliz do motorista resolveu afrontá-lo.
Pois bem, o chaufer, inexperiente no trato de riacho nordestino, pisou na tábua da Expresso de Luxo pra varar o riacho Sabonete, mas a correnteza do danado respostou e entortou o ônibus jogando-o pendurado na ribanceira. Duas mocinhas apavoradas sairam do ônibus e foram arrastadas pelas águas salvando-se enganchadas nas moitas do riacho. Passaram-se horas até que o Sabonete baixasse e os demais passageiros pudessem sair do ônibus.
Que riacho danado esse riacho Sabonete de Forquilha, onde Amilcar e Zé Ivo se banharam!