sábado, 28 de janeiro de 2012

Trabalho e depressão

Faz-se crer que a riqueza de cada um se deve ao trabalho que realiza. Verdade, não é.  Basta verificar, por exemplo, que dentre  os mais ricos da sociedade estão banqueiros, rentistas e especuladores. Soaria irônico afirmar que ganham conforme trabalham.  No dizer popular, alguns deles dão é muito trabalho. A última assertiva se prova com o episódio dos “primes” e a recente quebradeira na anciã Europa. Tudo causado pela ganância sem fim e a má gestão. Arrisco adivinhar quem vai pagar a conta do banquete. A Grécia até já respondeu, antecipando-se a Portugal, Espanha, Itália e França: o povo. O FMI já está passando a sacolinha: contribuam gente boa!

De outro lado, já que se fala em trabalho, mirem-se na rotina de um pedreiro, suorento a levantar tijolos em paredes sólidas. Feito Sísifo rolando sem fim medonha pedra morro acima que teima em cair morro abaixo, que faz rolar de novo pra cima, eternamente. Se se tivesse de medir o trabalho de um indivíduo desses, seria o mais rico dos homens; o mais admirado dos da espécie. Mas, casa de ferreiro, espeto de pau ou: quem trabalha não tem tempo de ganhar dinheiro. De tal sorte que, pra não rebolar no mato a frase iniciada no texto, motivo de concordância de muitos Adam Smiths da vida, podemos reformá-la  para: a riqueza de cada um se deve ao trabalho que outros realizam a favor daquele.

Fico pensando se o trabalho realmente nos deixa felizes. Olavo Bilac, no seu parnasianismo métrico, tinha essa opinião:  “Assim como a chuva caída fecunda a terra no estio, para fecundar a vida, o trabalho se inventou... Feliz quem pode orgulhoso dizer nunca fui vadio e, se hoje sou venturoso, devo ao trabalho o que sou”. Menos, poeta, menos!  É que nunca se trabalhou tanto. O mundo atual é uma azáfama geral. Contudo, nunca fomos  tão infelizes. Tenho na cabeça que  a depressão é uma epidemia essencialmente moderna. Se me fosse dado opinar e ressalvadas as condições da genética de cada um, apostaria que provem muito da alimentação - rica em calorias, pobre em nutrientes - dos valores  da sociedade de consumo e do trabalho para adquirir bens supérfluos exigidos por esta.

Do ponto de vista ecológico, o trabalho, com o seu produto e detritos gerados, são os grandes consumidores de recursos naturais. Porém a terra é redonda e finita. De tal forma, ser a natureza terráquea limitada. Mas não rezam assim os pressupostos da economia vigente que ordena produzir cada vez mais com recursos naturais, considerados infinitos e praticamente gratuitos. É um crescer contínuo que o crescimento traz lucro, reproduzindo a mais valia do velho Karl Marx.  Até quando dura isso? Ninguém sabe pois, dentre os valores impostos às pessoas, se  sobressaem, a riqueza, o poder e a celebridade célere. Assim, urge manter-se a expectativa de tê-los a qualquer custo. Parar de consumir o supérfluo?  Não dá, pois, argumenta-se, haveria desemprego, desarrumação geral nas estruturas de poder. O sistema quebraria, como quebrou, por outras razões, o comunismo . Não creio que os detentores das rédeas do poder deixem isso acontecer. Logo, consumir mais, tornou-se preciso.

Sendo assim, no sem jeito mesmo de solução, e apenas pra se ter uma outra visão do trabalho, ou melhor, do não-trabalho, pouco custa ler “Ócio Criativo” de Domenico de Masi. Isso, se der  tempo  que, a gente sabe, o trabalho não deixa sobrar. 

George Alberto de Aguiar Coelho

http://noticias.bol.uol.com.br/ciencia/2012/01/27/trabalhar-demais-eleva-risco-de-depressao.jhtm

E como disse um amigo meu: "Se não é Trabalho e Depressão é Trabalho e Estresse, é osso: http://www.youtube.com/watch?v=IzBy6agXKoA"

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Eficiência policial

Eita, se a polícia do Piaui tivesse a mesma eficiência no combate a bandidos de verdade como tem pra reprimir estudantes e demais população que lutam contra aumento da passagem de ônibus...



Edifício de 30 pisos em 15 dias

Quando vejo uns poucos quilômetros de estrada, nas imediações de Fortaleza, sua construção durar 5 ou mais anos pra ficarem prontos, me dou conta de que a diferença entre Brasil e China é que o primeiro se tornou simplesmente o fornecedor de matéria prima (principalmente ganga) para o segundo, que o transforma em aço, que faz erguer pilastras e vigas, que dão suporte a edifícios de 30 pisos em 15 dias.

Eh! Brasil, tem muito chão a percorrer, muito céu a alcançar!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Ano novo, tudo novo!

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Ano novo, tudo novo!
Todo mundo diz assim num só jargão.
Mas será sempre o novo melhor que o velho?
Tudo o que começa agora melhor que os que vão?
Sei não! Sei  não!
Prefiro o velho e conservado vinho,
Mais o novo e o maturado pão.


George Alberto de Aguiar Coelho

Desenho de Sandra Coelho          



terça-feira, 27 de dezembro de 2011

PIB do Brasil passa o do Reino Unido

PIB do Brasil passa o do Reino Unido. Agora, Brasil é a sexta maior economia do mundo. Ainda vai levar mais 20 anos pra se alcançar o padrão de vida inglês. Mas pra quem caiu, em ritmo neoliberal, de oitava pra décima quarta economia, até que foi um salto dos enormes.
George Alberto de Aguiar Coelho.




quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Papai Noel, eu te peço


Que nossas cestas de natal continuem fartas, mas que dê preferência aos que não têm cestas de natal.
Que os ruidosos brinquedos piscantes de nossos filhos continuem piscantes e ruidosos, mas que, principalmente, suas almas continuem, além de piscantes e ruidosas, sensíveis  às almas das iguais crianças que nunca tiveram brinquedos piscantes e ruidosos.
Que nossa rica mesa de fiambre e queijo nos faça lembrar da mesa limpa dos desvalidos.
Que o vinho, prestes a regar nosso corpo nesse dia, nos embriague a alma de boas fantasias e nos faça perceber que o mundo é o produto do que somos e pensamos.
Que um pouco do muito dinheiro gasto nessa época chegue aos que pouco dinheiro têm.
Que nossas festas de natal cheguem aos que não têm festas.
Pois que o nosso homenageado – que veio para nos servir - não teve mesa farta regada a vinho, fiambre  e queijo, não ganhou ruidosos brinquedos piscantes, sua cesta foi uma manjedoura de palha e nasceu simples criança pobre.

George Alberto de Aguiar Coelho



sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Feliz Natá!


Entonce, nesse Natá,
Comecim de novo ano,
Que teje certo seus prano,
Idéia e coisa e tá.
Faço voto afiná,
De saúde, paz e amô,
Pro pobre, rico e dotô,
Tudo vivente do mundo,
Que no fundo, bem no fundo,
É fio dum só Sinhô.

George Alberto de Aguiar Coelho