quarta-feira, 22 de junho de 2011

De Petrolina pro Crato

Dedicado à Rachel de Queiroz

De Petrolina pro Crato
Viajo de caminhão,
Eita caminho ingrato!
Aperta meu coração.
Dia e meio de viagem
Pra vencer o chapadão,
Atravessa até visagem
Na frente do caminhão.

Passageiro na boléia,
De Petrolina pro Crato,
Caminhão quebra a biela,
Carece comer no mato.
Vai coração e moela,
Mais farinha no meu prato,
De galinha e cabidela,
Que eu quero chegar no Crato.

Seu Silveira, mais cuidado!
Tome tenência na estrada!
Vaqueiro aboiando gado,
Bode, jumento capado.
Fumaça o radiador,
Bota água no buraco,
Só se some esse calor,
Se a gente chegar no Crato.

Seu Silveira, açulera
O diabo do caminhão,
Quebrou de novo a biela,
Remenda na escuridão.
Desce de novo a panela,
Põe água desse grotão,
Eu quase quebro a costela,
Me queimei num cansanção.

Espia a crina da serra,
Escondido, tá o Crato,
A carga se desmantela,
Cheiro gostoso de mato.
Descendo, vai de banguela,
Mas nem sempre sai barato,
Me dá um nó na goela,
Mãe... tou chegando no Crato!.

George Alberto de Aguiar Coelho
Escrito em 17/07/2007 


Fonte: O Caminhão de Seu Silveira. Rachel de Queiroz.
A Donzela e a Moura Torta,
José Olimpio Editora. RJ, 1989, p. 13 a 19.

2 comentários:

  1. Neste caminho do sertao
    só penso no sol quente
    que treme até o chao
    e no grito do gaviao
    que voa sem direcao. Beijos. Sônia Coêlho

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